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Domingo, Fevereiro 29, 2004
Existem centenas de prêmios no mundo do cinema, mas
nenhum é como o Oscar. Nada tem a mesma
popularidade, glamour ou é capaz de criar a mesma polêmica
e interesse. Hoje (29 de fevereiro), por volta das 22:00
(horário de Brasilia), o SBT e a TNT transmitem a Festa
aqui para o Brasil.
Eu não ia escrever nada antes da cerimônia, mas ai
comecei a lembrar de alguns momentos marcantes desta
festa e não resisti. Momentos esses que marcaram a
minha vida como amante da 7ª arte, como...
...quando em em 1987 a Cher agradeceu ao seu maquiador e
cabelereiro, mas esqueceu de falar do diretor e
roteirista do filme que lhe deu o Oscar de Atriz,
"Feitiço da Lua". No dia seguinte, ela teve
que pagar um anuncio no Variety pedindo desculpas a
eles.
...quando descobri que Marilyn Monroe nunca foi indicada
ao Oscar e só compareceu uma vez à Festa, como
apresentadora na categoria de Melhor Som, em 1950, no
começo da carreira. E que "Assim Estava
Escrito" foi a fita que ganhou o maior numero de
Oscars sem ter sido indicado à Melhor Filme, algo
semelhante pode acontecer com "Cold Moutain"
este ano.
...quando me decepcionei com as derrotas de "A Cor
Púrpura" e "O Resgate do Soldado Ryan"
de Steven Spielberg.
...quando em 1987, todos os indicados na categoria de
Melhor Diretor não eram americanos. Foram eles: o
italiano Bernardo Bertolucci por "O Último
Imperador", o sueco Lasse Hallström por
"Minha Vida de Cachorro", o inglês Adrian
Lyne por "Atração Fatal", o irlandês John
Boorman por "Esperança e Glória" e o
canadense Norman Jewison por "Feitiço da
Lua".
...Quando em 2000 os organizadores da festa reuniram no
palco diversos vencedores do Oscar de atores, entre
eles, Shirley Temple, Gregory Peck, Paul Newman, Jack
Lemmon, Sidney Poitier, Shirley MacLaine, Katharine
Hepburn e Julie Andrews.
Todos os anos esses acontecimentos e surpresas me
emocionam e por isso resolvi publicar meus devaneios a
respeito da cerimônia de 2004. A seguir estão minhas
opiniões sobre os que merecem (se o mundo fosse justo)
e os que devem realmente vencer na disputa (em um mundo
provavel):
Melhor Filme
Se o mundo fosse justo: O Senhor dos Anéis: O Retorno
do Rei
Em um mundo provável: O Senhor dos Anéis: O Retorno do
Rei
Comentário: A trilogia de Peter Jackson parece
finalmente ter gerado um filme amadurecido e agradável
aos olhos da Academia. Foram dezenas de prêmios, clima
de épico, bilheterias majestosas. Nenhum outro filme
parece ter cara de Oscar na categoria principal. A saga
de Jackson consegue uma coisa difícil no cinemão:
perfeição técnica e uma direção que valoriza
interpretações e roteiro e não se rende a
necessidades financeiras. "Sobre Meninos e
Lobos", de Clint Eastwood perdeu força com o
tempo, além de ter uma temática não tão assimilável.
"Mestre dos Mares", apesar de muito bom, não
é para todos os paladares, "Encontros e
Desencontros" é maravilhoso, mas tem um público
muito restrito e "Seabiscuit" é a bobagem do
ano.
Melhor Diretor
Se o mundo fosse justo: Peter Jackson - O Senhor dos Anéis:
O Retorno do Rei
Em um mundo provável: Peter Jackson - O Senhor dos Anéis:
O Retorno do Rei
Comentário: Peter Jackson tem todas as vantagens, mas
elas não são tantas assim. Clint Eastwood é sinônimo
de diretor sério e, mesmo com um prêmio na estante,
pode surpreender. Empatada com ele está Sofia Coppola,
mas mais provável mesmo é que Sofia garanta o seu com
o melhor roteiro original. Peter Weir enfraquece sua
candidatura frente a três oponentes mais visíveis.
Fernando Meirelles é coadjuvante de luxo.
Melhor Ator
Se o mundo fosse justo: Bill Murray, Encontros e
Desencontros
Em um mundo provável: Sean Penn, Sobre Meninos e Lobos
Comentário: Penn é um grande ator, sempre foi, e só
nos últimos anos começa a ser reconhecido pela crítica,
o que sempre pesa no Oscar. Seu filme é "o grande
filme sério do ano" e isso conta muito. Mas que
ele está muito melhor em "21 Gramas", isso
ele está. Bill Murray tem o melhor desempenho entre os
indicados, mas sofre um pouco pelo caráter
independente. Johnny Depp parecia brincadeira da
Academia, homenagem ao conjunto da obra, mas a vitória
no SCREEN ACTORS GUILD deu um novo fôlego a sua
candidatura. Jude Law, não teve capacidade de empolgar
o suficiente. Ben Kingsley é só um grande nome para
completar a lista.
Melhor Atriz
Se o mundo fosse justo: Scarlett Johansson, Encontros e
Desencontros (ops, off list)
Em um mundo provável: Charlize Theron, Monster
Comentário: Charlize Theron tem tudo a seu favor.
"Monster" é um "filme de atriz"
(assim como eram "Acusados", que elegeu Jodie
Foster, e "A Última Ceia", que premiou Halle
Berry). Diane Keaton, não tem tantas chances. Naomi
Watts é uma ameaça séria, mas "21 Gramas"
parece ser muito alternativo para a Academia. Não vi
nada da Samantha Morton, prefiro não comentar. Keisha
Castle-Hugles, é a "atriz mais jovem indicada ao
Oscar", não deve passar disso. Na verdade, faltou
Johansson.
Melhor Ator Coadjuvante
Se o mundo fosse justo: Benicio Del Toro, 21 Gramas
Em um mundo provável: Tim Robbins, Sobre Meninos e
Lobos
Comentário: A interpretação cheia de caras e bocas de
Tim Robbins deve ganhar o Oscar, assim como fez com o
Globo de Ouro e o SAG. Ken Watanabe, interpretação
muito boa num filme ruim. Porém essa categoria de
"coadjuvantes" sempre surpreende, sendo assim
Benicio Del Toro pode sair com seu segundo prêmio na
carreira. Ele está ótimo, mas o filme não tem força
para a Academia. Não sei nada de Alec Baldwin e Djimon
Hounsou.
Melhor Atriz Coadjuvante
Se o mundo fosse justo: Renée Zellweger, Cold Mountain
Em um mundo provável: Renée Zellweger, Cold Mountain
Comentário: É admirável e memorável a interpretação
de Renée Zellweger. Quando surge na tela, Renée
anuncia uma performance que salva "Cold
Mountain", uma interpretação maravilhosa. Merece
dois prêmios. Shoreh Aghdashloo está cotadíssima nos
sites especializados. Como esta categoria é
"aquela", pode até ser. Patricia Clarkson,
Marcia Gay Harden e Holly Hunter não tive o prazer de
assistir.
Melhor Filme Estrangeiro
Vale a sinceridade: Não vi nenhum
Então vou apostar: As Invasões Bárbaras, do Canadá
Comentário: Bem, esta categoria está ridícula. Cada
país indica um filme e um comitê define os finalistas.
Ou seja, injustiça não falta. Para votar, tem que ver
todos os filmes, o que muitas vezes derrubou alguns
favoritos.
Melhor Roteiro Original
Se o mundo fosse justo: Sofia Coppola, Encontros e
Desencontros
Em um mundo provável: Sofia Coppola, Encontros e
Desencontros
Comentário: Sofia Coppola, sem dúvida. Um grande
roteiro, cuidadoso, inteligente e bem executado. É o
voto das mulheres, dos alternativos, dos cabeça. E
ainda garante um Oscar para o filme.
Melhor Roteiro Adaptado
Se o mundo fosse justo: Brian Helgeland, Sobre Meninos e
Lobos
Em um mundo provável: Brian Helgeland, Sobre Meninos e
Lobos
Comentário: "O Anti-Herói Americano" ganhou
o Guild, mas parece muito alternativo para a Academia. O
filme de Clint Eastwood é um grande texto. "O
Retorno do Rei" deve ganhar vários, mas não esse.
"Cidade de Deus" embora muito bem desenvolvido
e até mesmo merecedor, não tem muita força.
Melhor Fotografia
Se o mundo fosse justo: César Charlone, Cidade dos Deus
Em um mundo provável: Eduardo Serra, Moça com o Brinco
de Pérola (brasileiro)
Comentário: "Moça com o Brinco de Pérola"
parece ser um filme de fotografia, mas eu não vi.
"Seabiscuit" (não gostei nada nele) ganhou o
Guild. "Cidade de Deus", pela inventividade é
o melhor e mais original. Merecedor. "Cold
Mountain" e "Mestre dos Mares" são de
grandes estúdios e isso pode pesar na hora.
Melhor Edição
Se o mundo fosse justo: Daniel Rezende, Cidade de Deus
Em um mundo provável: James Sellkirk, O Senhor dos Anéis:
O Retorno do Rei
Comentário: Onde "Cidade de Deus" tem mais
chances é aqui. Resta saber se a edição mais rápida
e criativa vai superar "O Retorno do Rei",
montagem paralela mais clássica, que parece ser o único
oponente real. A favor, o sentimento da Academia de que
o longa chamou tanta atenção que merece ganhar ao
menos um prêmio.
Melhor Direção de Arte
Se o mundo fosse justo: Grant Major e Alan Lee, O Senhor
dos Anéis: O Retorno do Rei
Em um mundo provável: William Sandell, Mestre dos
Mares: O Lado Distante do Mundo
Comentário: "O Retorno do Rei" é grande,
muito grande. Acho que, fora "Mestre dos
Mares", os outros três são ameaças distantes, na
ordem.
Melhor Figurinos
Se o mundo fosse justo: Ngila Dickson, O Último Samurai
Em um mundo provável: Ngila Dickson, O Senhor dos Anéis:
O Retorno do Rei
Comentário: "O Retorno do Rei" é sempre uma
opção, mas acho que aqui a grandiosidade vai dar lugar
à delicadeza. Este pode ser o Oscar de "O Último
Samurai". Detalhe, Ngila Dickson participou do
designer dos dois filmes.
Melhor Trilha Sonora
Se o mundo fosse justo: Howard Shore, O Senhor dos Anéis:
O Retorno do Rei
Em um mundo provável: Howard Shore, O Senhor dos Anéis:
O Retorno do Rei
Comentário: Acho que engrossa o número de prêmios de
"O Retorno do Rei". Howard Shore fez, mais uma
vez, uma trilha edificante com momentos belíssimos.
Merece a vitória e pode emplacar um segundo Oscar pela
trilogia. "Cold Mountain" tem boas chances,
mas quem eu nunca descarto é Danny Elfman, desta vez
com "Peixe Grande".
Melhor Canção
Se o mundo fosse justo: "Into the West", Howard
Shore e Annie Lennox, O Retorno do Rei
Em um mundo provável: "You Will Be My Ain
True Love", de Sting, Cold Mountain
Comentário: Aqui o embate é a grandiosidade de "O
Retorno do Rei" e a tradição de "Cold
Mountain" que concorre com duas, mas prefiro a música
do Sting antes da do Elvis Colstello. Prefiro Into the
West ganha em ano de épico.
Melhor Maquiagem
Se o mundo fosse justo: Mary Burton, X-Men 2 (ops,
esse não está concorrendo)
Em um mundo provável: Richard Taylor e Peter King, O
Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei
Comentário: As apostas estão indo mais pro lado de
"Piratas do Caribe" e pode ser o Oscar do
filme, mas "O Retorno do Rei" é o filme do
ano, então eu vou com ele.
Melhor Sonoplastia
Se o mundo fosse justo: Michael Hedges, O Senhor dos Anéis:
O Retorno do Rei
Em um mundo provável: Michael Hedges, O Senhor dos Anéis:
O Retorno do Rei
Comentário: "O Retorno do Rei", é um show de
som THX, mas "Mestre dos Mares" também tem
fortes chances.
Melhores Efeitos Visuais
Se o mundo fosse justo: Jim Rygiel e Alex Funke, O
Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei
Em um mundo provável: Jim Rygiel e Alex Funke, O Senhor
dos Anéis: O Retorno do Rei
Comentário: "O Retorno do Rei" na mosca, não
há como errar. Em 2003 eles ficaram de fora do prêmio
pois consideraram que não tinha nada de novo com relação
ao primeiro filme. Nessa terceira parte veio a superação.
Mas o melhor é que nenhum Matrix está na lista.
Melhor Edição de Som
Se o mundo fosse justo: Richard King, Mestre dos Mares:
O Lado Distante do Mundo
Em um mundo provável: Richard King, Mestre dos Mares: O
Lado Distante do Mundo
Comentário: "Mestre dos Mares" é o melhor e
parece a vitória mais evidente. "Piratas do
Caribe" seria uma consolação. "Procurando
Nemo" vai ganhar como animação então perde esse.
Melhor Filme de Animação
Se o mundo fosse justo: Procurando Nemo, Andrew Stanton
e Lee Unkrich
Em um mundo provável: Procurando Nemo, Andrew Stanton e
Lee Unkrich
Comentário: Quem eu falei que ganhava esse? Não vou
nem citar os outros...
Melhor Documentário, Curta Metragem e Curta de Animação
Não assisti nenhum.
And the Oscar goes to...
Sábado, Fevereiro 28, 2004
Dizem que todos nós perdemos 21 Gramas no exato
momento da nossa morte.
O peso de um saco de moedas
O peso de uma barra de chocolates
O peso de um beija-flor

O espetacular 21 Gramas de Alejandro Iñarritu,
começa com Sean Penn sentado numa cama seminu ao lado
de Naomi Watts que está deitada com a cabeça virada
para o lado da câmera. Aparece então o título do
filme e em seguida uma quantidade absurda de cenas
desconexas que nos deixam totalmente perdidos. Nos
primeiros 20 minutos há muita dificuldade em entender a
proposta de Iñárritu (diretor do memorável
"Amores Brutos"). Comecei a ficar nervoso com
o que estava assistindo, principalmente por não
entender quem era a inglesa de cabelos pretos que tanto
era focada na tela.
21 Gramas conta a história de um transplante. Sean Penn
está à beira da morte e recebe um novo coração.
Segue-se uma crise de identidade, que o leva à Naomi
Watts (de "Cidade dos Sonhos"), mulher do
falecido doador.
A sinopse pode até parecer simples e banal, não é? E
seria, caso o diretor fosse um "mero
cineasta". Por isso, ele resolve virar na mente do
espectador, uma caixa de quebra-cabeças com 500 peças.
A gente olha uma parte, olha outra e vai tentando montar
e formar uma paisagem. Quem ainda não assistiu pode até
achar estranho, mas é assim mesmo que nos sentimos.
Tanto que depois dos 20 minutos iniciais, quando
descobrimos o que estamos assistindo (e no meu caso quem
é a inglesa de cabelos pretos), nos damos conta de que
este é O FILME. Há uma quebra de ritmo no meio
do filme, não por culpa do diretor, mas pela temática
da fita que é pesada, melancólica e triste.
As atuações são fenomenais. Sean Penn mais uma vez dá
um banho em cena (esse é o cara do momento e está
indicado para o Oscar de melhor ator por "Sobre
Meninos e Lobos"). Benicio Del Toro (indicado por
"21 Gramas" ao Oscar de Melhor Ator
Coadjuvante) tem em mãos o melhor personagem de sua
carreira (complexo e interessante, é um cara que busca
forças na fé - se é que um dia a teve de verdade em
seu coração). Naomi Watts (indicado por "21
Gramas" ao Oscar de Melhor Atriz) depois de
"Cidade dos Sonhos" e deste filme não tenho
mais dúvidas de que a moça nasceu para ser atriz de
filme pornô, mas é muito talentosa. Quem chamou minha
atenção foi a coadjuvante Melissa Leo como esposa do
personagem de Benicio (ela me conquistou com aquela que
talvez venha a ser a melhor cena do filme, veja e
comente).
Alejandro Iñarritu fez valer o seu "21
Gramas". Sem contar, que é preciso ter culhões
pra fazer em Hollywood uma fita dessas. Palmas pra ele
porque o cara merece.
Quarta-feira, Fevereiro 25, 2004
Encerramos hoje a nossa enquete "Qual autor você
quer ver em uma montagem teatral com a turma do 2º ano
do CCG em 2004, com direção de Abílio Guedes." O
resultado não foi surpresa.
Em primeiríssimo lugar, com 20% dos votos ficou Chico
Buarque. Sua bibliografia teatral é composta pelos clássicos
Roda Viva, Calabar, Gota d'água, Os Saltimbancos e Ópera
do Malandro. O escritor e compositor também participou
com suas músicas para os espetáculos: Balanço de
Orfeu, Morte e vida severina, O patinho preto, Pedro
pedreiro, Meu refrão, Os inimigos, O&A, O Homem de
La Mancha, Mulheres de Atenas, Murro em ponta de faca, O
Rei de Ramos, Geni, Balé Grande circo místico, Dr. Getúlio,
O corsário do rei, As quatro meninas, Dança da
Meia-lua, Suburbano coração e Cambaio.

A medalha de prata ficou para Dias Gomes. Com 11,11% dos
votos, as obras deste versátil escritor mostraram-se
bastante populares. Entre seus muitos sucessos,
destacam-se: A comédia dos moralistas, Esperidião,
Ludovico, Amanhã será outro dia, Pé-de-cabra, João
Cambão, O homem que não era seu, Sinhazinha, Zeca
Diabo, Eu acuso o céu, Um pobre gênio, Toque de
recolher, Doutor Ninguém, Beco sem saída, O
existencialismo, A dança das horas, O bom ladrão, Os
cinco fugitivos do Juízo Final, O pagador de promessas,
A invasão, A revolução dos beatos, O bem-amado, O berço
do herói, O santo inquérito, O túnel, Vargas (Dr. Getúlio,
sua vida e sua glória), Amor em campo minado (Vamos
soltar os demônios), As primícias, Phallus, O rei de
Ramos, O santo inquérito, Campeões do mundo, Olho no
olho e Meu reino por um cavalo.
Agradeço a todos que votaram e espero que qualquer que
seja o texto escolhido pelo nosso grupo, ele consiga
alcançar o entusiasmo de quem nos assistir. Vejam o
resultado na integra da enquete:
Chico Buarque 20,00%
Dias Gomes 11,11%
Federico Garcia Lorca 6,67%
Gianfrancesco Guarnieri 6,67%
Luis Fernando Verissimo 6,67%
Outros 6,67%
Ariano Suassuna 4,44%
Bertold Brecht 4,44%
Edu Lobo 4,44%
Miguel Falabella 4,44%
Millor Fernandes 4,44%
Nelson Rodrigues 4,44%
Oduvaldo Vianna Filho 4,44%
Gerald Thomas 2,22%
Luiz Carlos Cardoso 2,22%
Plínio Marcos 2,22%
Samuel Beckett 2,22%
William Shakespeare 2,22%
Gil Vicente 0,00%
José Celso Martinez Corrêa 0,00%
Martins Pena 0,00%
Oscar Wilde 0,00%
Tennessee Williams 0,00%
Segunda-feira,
Fevereiro 02, 2004
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Certos filmes você gosta porque se diverte com eles.
Outros são bons porque te fazem pensar. Mas há também
aqueles raros e bons filmes que você não gosta. Você
ama. E amor, como todos sabem, complica tudo. Complica
porque você não explica. Só sente.
Laranja Mecânica para mim é assim: paixão
pura. Deleite. Delírio. E todos os outros "D"
dos perpétuos.
Eu não sei dizer porque gosto tanto. Pelo menos não de
uma maneira 100% racional. É claro que existem fatores
técnicos e artísticos inegáveis. Mas a verdade é que
tantos outros filmes os têm também e não batem do
mesmo jeito. Para você ter uma idéia, eu não acho que
o "Laranja" tenha uma ou duas cenas antológicas.
Ele é na verdade uma antologia de cenas clássicas
enfileiradas. Acaba uma, segue-se outra ainda melhor.
Tudo começa na estupenda cena inicial. Melhor, começa
antes, nos curtos letreiros em abusados fundos monocromáticos
(cores básicas: azul e vermelho), ao som da envolvente
música-título de Walter Carlos. A música continua
enquanto o filme começa - e começa logo de cara num
close da cara psicótica do Malcolm McDowell (no papel
que ele pediu a Deus, e que bem poderia funcionar como
uma aposentadoria antecipada, diante dos seus excelentes
serviços prestados aos cinéfilos do mundo todo através
de um único filme).
Depois de um fantástico travelling
pela leiteria, somos apresentados à ultra-violência,
com mais um punhado de seqüências irretocáveis, que
culminam no estupro ao som de "Singin' in the
Rain". |
Mas caraca! Como é que alguém pode amar um filme com
tamanha violência, quase sempre gratuita e exacerbada?
Como é que alguém pode se deliciar com cenas
repulsivas e vis? Como é que alguém pode encontrar
beleza num espancamento ou num fecha-pau entre gangues
rivais? A resposta é uma só: Kubrick. Esse
finado maluco sabia como construir cenas belíssimas,
delirantes e sublimes, mesmo (ou principalmente)
mostrando todo mal que mora no coração dos homens.
E no momento em que você começa a achar totalmente
desprezível e odioso o tal de Alex, o cara chega em
casa e delira (e nós também) com o bom e velho Ludwig
Van. E a estátua com os quatro Cristos (!) começa a
dançar, enquanto violentos sonhos povoam a mente do
guri, e a nossa. E você se descobre nutrindo uma
estranha e mórbida simpatia por aquele anti-herói (ou
vilão mesmo).
Segue-se a derrocada do cara. Traição. Prisão.
Insultos perpetrados por um policial que sempre me
pareceu um cover sério do John Cleese (se é que isso
é possível). E finalmente a seqüência atordoante do
Tratamento Ludovico. E de repente lá está você,
sentindo pena do pobre Alex. E vai sentir ainda mais
quando, num cenário deliciosamente, seus pais o
renegam. E quando ele é espancado pelos mendigos e, em
seguida, por seus ex-drugues. E o ciclo se fecha na casa
do velho.
Nas cenas seguintes, o exagero da interpretação do
Malcolm se une ao exagero das caretas perpetradas por
Mr. Frank Alexander (Patrick Magee), culminando numa
frase que me faz tremer toda vez que a ouço/vejo: "Try
the wine!" (Tente o vinho).

Seguem-se novas tomadas antológicas (fato realmente
corriqueiro neste filme). E não pense que Kubrick
perpetraria, para um filme tão surpreendente, um final
bundão-hollywoodiano. Não. A divertida trepada na
neve, com os aplausos dos espectadores (você é um
deles) e a redentora frase final fecham o filme de forma
irretocável: "I was cured all right." (Eu
estou totalmente curado).
Beijos, Rafa!!
Adendo: se eu fosse falar da trilha sonora esta resenha
teria o dobro do tamanho. Fica pr'outra vez.
Domingo, Janeiro 25, 2004
Olá pessoal...
Por muitas vezes me pego observando as pessoas e o mundo
a minha volta, procurando manifestações mais explícitas
da obra de Deus. Sempre que temos tempo de parar o ritmo
que "o dia" nos impõe, descobrimos que a
maior virtude da grandiosidade da criação, está na
diversidade de mundos que ele criou. São várias formas
de ver e viver, cada um de nós tem a sua visão de
mundo e com isso as perspectivas se tornam mais amplas.
É como se o mundo fosse dividido em 6,3 bilhões de
diferentes universos, ou 6,3 bilhões de formas de
vive-lo efetivamente.
E esses universos são metamórficos. O choque (nem
sempre) ocasional entre as vidas das pessoas, faz com
que o mundo introspectivo de cada um influencie e muitas
vezes mude o mundo existente no outro. É por isso que
jamais saímos de uma relação, da mesma forma como
entramos.
Para quem é cristão como eu e acredita no poder do espírito
santo, sabe que o homem foi abençoado com sete
dons divinos: sabedoria, entendimento, conselho,
fortaleza, ciência, piedade e temor de Deus. Este último
não significa medo de Deus, mas um amor tão
grande que queima o coração de respeito por ele. Não
é um pavor pela justiça divina, mas o receio de
ofender ou de desagrada-lo. Por isso Jesus teve sempre o
cuidado de fazer em tudo a vontade de seu Pai, como Isaías
havia profetizado: Sobre Ele repousará o Espírito
do Senhor, Espírito de sabedoria e de entendimento. Espírito
de prudência e de coragem, Espírito de ciência e de
temor do Senhor (Is 11,2).
Você deve estar se perguntando: Por que o Rafael está
com esse papo todo?
O maior de todos os dons que nós possuímos é o dom do
amor. Do amor a Deus, do amor ao próximo, aos nossos
parentes, amigos e até mesmo do amor aos nossos
desafetos. E agora, fui abençoado com mais uma forma de
amar. Fui abençoado por "Ele" ao ser
escolhido para ser o pai da Maria Eduarda, minha
primeira filha.

É como se o "meu mundo" tivesse se
transformado por completo. Ao contrário do que algumas
pessoas podem pensar, a sensação não é de sufoco,
medo ou desespero. Na verdade o mundo a sua volta fica
mais colorido. As pessoas ficam mais bonitas e os erros
mais compreensíveis. Os objetivos parecem mais fáceis,
porém se multiplicaram (berço, roupa, remédio,
fralda, fralda, fralda...). É isso pessoal, meu mundo
se chocou com o de Maria Eduarda. Espero apenas
conseguir fazer o mundo dela, mais colorido ainda, do
que o meu.
Para encerrar, existe um preconizado e velho provérbio
que afirma algo como: ¿Para sermos efetivamente
considerados como plenos cumpridores de nossos deveres
de homens, temos que dar um filho à pátria, plantar
uma árvore e escrever um livro". É melhor eu ir
providenciando as sementes e quem sabe, no lugar de um
livro, uma peça.
Beijo a todos.
Rafael Santin
Quarta-feira, Janeiro 14, 2004
TCHÔNES AWARDS 2004
Veja os melhores no mundo do cinema em 2004,
eleitos pelos leitores de Filmes, Pizzas e um Par de
Olhos Azuis.

Melhor Filme Estrangeiro
O Senhor dos Anéis - O Retorno do Rei encerra
uma saga. Ou várias. A saga de Frodo Bolseiro e seu
melhor amigo - o melhor amigo que alguém poderia ter -
Samwise Gangee para destruir uma arma do mal. A saga de
Aragorn, o herdeiro de um trono tomado numa batalha
sangrenta, para honrar o trono do pai. A saga de
hobbits, magos, elfos, anões e homens com uma missão,
com um propósito. Heróis cujos feitos muitas vezes
passaram despercebidos porque eram apenas pequenas -
ainda que fundamentais - partes de um objetivo maior.
Sob esse prisma, toda a trilogia é bem velha, assim
como são velhos o conceito de dignidade, de honra, de
respeito e - o mais simples de todos - o de ser bom.
Tempos modernos. Foram eles que destruíram a beleza, a
pureza. Que nos fizeram acreditar que heróis que matam
são mais humanos ou mais críveis. Que falhas no caráter
não somente devem ser aceitas e perdoadas, mas são
provas de que sagacidade e perspicácia e capacidade de
observação da realidade. Na minha época, as crianças
voavam com seres alados, lutavam em ligas de justiça,
combatiam as diferenças e aprendiam, brincando, o que
deveria ser importante de verdade.
Indicados na categoria: 8 Mile - Rua das Ilusões;
A Última Noite; A Viagem de Chihiro; Adaptação;
Adeus, Lênin; As Horas; Chicago; Embriagado de Amor;
Femme Fatale; Gangues de Nova York; Identidade; Irreversível;
Longe do Paraiso; O Pianista; O Senhor dos Anéis - O
Retorno do Rei; Prenda-me se for Capaz; Procurando Nemo;
Secretária; Tiros em Columbine; X-Men 2

Melhor Filme Nacional
Já faz um tempo que o nordestino finalmente ganhou espaço
na TV. Ele é um ser geralmente divertido, com sotaque
engraçado e que se equilibra entre a esperteza e inocência.
Às vezes ganha interpretações encantadoras, às vezes
abraça a caricatura, mas de uma maneira geral não
passa de um rascunho da realidade. O modelo do
nordestino idealizado pela TV chegou ao cinema com mais
força na década de 90 e se cristaliza em Lisbela e
o Prisioneiro, primeiro material que Guel Arraes
dirige exclusivamente para a tela grande. Arraes, que ao
lado de Jorge Furtado criou uma linguagem própria
dentro da televisão brasileira, é um homem de grande
capacidade para envolver o espectador. Seus truques
narrativos, sua direção de elenco costumam criar histórias
envolventes e personagens deliciosos.
Selton Mello e Débora Falabella estão completamente à
vontade nos papéis. Os coadjuvantes estão corretos.
Marco Nanini reprisa bem, mas sem necessidade o papel de
matador, Tadeu Mello parece que só sabe fazer o mesmo
personagem (o mais caricato e mais executável do filme)
e Bruno Garcia emplaca um sotaque carioquês engraçadinho.
A surpresa é Virgínia Cavendish, que consegue
equilibrar sua interpretação num misto perfeito de
melodrama e comédia.
Indicados na categoria: Amarelo Manga; Carandiru;
Lisbela e o Prisioneiro; O Homem do Ano; O Homem que
Copiava

Melhor Diretor
Uma coisa é descrever terras distantes, seres mágicos,
batalhas místicas, e deixar as imaginações férteis
trabalhando. Outra é materializar todo um universo, com
códigos, sistemas e personagens cheios de
desdobramentos e possibilidades, respeitando a obra
original e construindo verossimilhança, sem perder a
magia. A missão de Peter Jackson era difícil e
de sucesso pouco provável. Sucesso artístico,
entenda-se. Mas o cineasta cumpriu seu papel em todos os
prismas, do épico de batalhas grandiosas, da honra de
cumprir uma missão à cumplicidade entre dois amigos.
Indicados na categoria: Brian de Palma (Femme
Fatale); Guel Araes (Lisbela e o Prisioneiro); Jorge
Furtado (O Homem que Copiava); Martin Scorsese (Gangues
de Nova York); Michael Moore (Tiros em Columbine); Peter
Jackson (O Senhor dos Anéis - O Retorno do Rei); Roman
Polanski (O Pianista); Steven Spielberg (Prenda-me se
for Capaz)

Melhor Ator & Melhor Atriz
Nascido e criado em Nova York, Adrien Brody passou
a adolescência entre latinos e negros do Brooklyn.
Polanski começou as filmagens pelo final do roteiro,
quando o pianista está à beira da morte por causa da
fome e de doenças, o ator teve de emagrecer 15 quilos.
"Fiz a dieta da zona de guerra. Nada de gordura,
carboidrato, açúcar, frutas ou grãos. Tente fazer
isso por uma semana e imagine que eu fiz por oito",
disse ele numa entrevista.
Para resistir às tentações gastronômicas e
"encontrar o sofrimento", Brody impôs a si
mesmo reclusão total. Vendeu o carro e ficou enfurnado
num quarto de hotel, onde estudava quatro horas de piano
por dia, aprendia polonês e decorava o script. No
primeiro dia de filmagem, se sentia tão fraco que disse
ao diretor que não teria energia para pular um muro
como previa a cena que seria rodada. "Ele me disse:
´Para quê você precisa de energia? Faça o que eu
mando´", contou Brody. "Comecei a chorar e
percebi que seria uma difícil jornada."
Brody se entregou de tal maneira ao personagem que seis
meses depois do fim das filmagens de O Pianista
continuava deprimido. Resultado: perdeu a namorada que
tinha há anos e se tornou um chorão. "Bastava um
copo de vinho para me fazer chorar."
Indicados na categoria: Adrien Brody (O
Pianista); Daniel Day-Lewis (Gangues de Nova York);
Eminem (8 Mile - Rua das Ilusões); Lázaro Ramos (O
Homem que Copiava); Nicolas Cage (Adaptação); Selton
Mello (Lisbela e o Prisioneiro);
Nicole Kidman parece que resolveu levar a profissão
a sério. É complicado dizer que alguém está perfeito
num personagem que realmente existiu na vida real,
principalmente se essa pessoa viveu sem ter qualquer
registro audiovisual seu, mas pra mim, Virginia Woolf
foi exatamente como aquela que estava na tela.
Porém nada disso seria possível se o restante da
equipe de As Horas não tivesse o mesmo empenho. Baseado
em um livro homônimo de Michael Cunningham, que recebeu
o prêmio Pulitzer, ¿As Horas¿ é marcado pela
sensibilidade de seu diretor, Stephen Daldry (Billy
Elliot), ao transmitir o best-seller para a telona. Um
super elenco para o projeto reuniu Meryl Streep, Nicole
Kidman e Julianne Moore representando no auge de suas
formas. Isso é o que eu chamo de "AS HORAS certas
nos lugares certos".
Indicados na categoria: Catherine Zeta-Jones
(Chicago); Debora Falabella (Lisbela e o Prisioneiro);
Julianne Moore (Longe do Paraíso); Meryl Streep (As
Horas); Mônica Bellucci (Irreversível); Nicole Kidman
(As Horas)

Melhor Ator Coadjuvante & Melhor Atriz
Coadjuvante
O que podemos esperar e exigir desta categoria? Eu
diria: O MÁXIMO!!
Atores coadjuvantes é uma das minhas categorias
prediletas na arte da interpretação. Isso porque pelo
fato de terem menos tempo em cena podem condensar mais
determinadas características e situações, que os
personagens principais precisam estender por todo o
roteiro (isso no teatro e no cinema). Com isso, a
identificação torna-se imediata com a platéia e
podemos saborear magníficas pérolas artísticas.
Sean Astin alcançou fama nos anos 80 com o clássico
"Os Gôonies" e fez de seu Sam de "O
Senhor dos Anéis - O Retorno do Rei" uma explosão
de sentimentos, quando por conteve seus medos e
inseguranças até o momento de criar coragem para
enfrenta-los. O resultado é uma das cenas mais
emocionantes de um filme repleto de efeitos especiais,
mas que nessa sequência, a única coisa que tinha de
especial era o talento do eterno gôonie, ao melhor
estilo Stanislavski.
Indicados na categoria: Andy Serkis (O Senhor dos
Anéis: O Retorno do Rei); Christopher Walken (Prenda-me
Se For Capaz); Dannis Quaid (Longe do Paraiso); Pedro
Cardoso (O Homem que Copiava); Sean Astin (O Senhor dos
Anéis: O Retorno do Rei); Tadeu Mello (Lisbela e o
Prisioneiro)
Devo confessar que Ellen De Generes me
surpreendeu ao ganhar pela sua encantadora Dory em
"Procurando Nemo". Não pelo talento, mas sim
pela aceitação dos internautas, que reconheceram está
que é uma das mais difíceis formas de interpretação,
que é a dublagem para desenhos animados, mas que a cada
ano, vem conquistando seu espaço de maneira mais do que
merecida.
Ellen talvez nunca venha a estrelar com sucesso um filme
como protagonista, mas como coadjuvante, consegue trazer
o estilo de humor afiado (mas ainda bastante "família")
que utiliza em seus seriados de televisão.
Indicados na categoria: Dira Paes (Amarelo
Manga); Ellen De Generes (Procurando Nemo); Julianne
Moore (As Horas); Meryl Streep (Adaptação); Virginia
Cavendish (Lisbela e o Prisioneiro)
Quero agradecer aos 176 votos de internautas que
colaboraram para a escolha do Tchônes Awards 2004. Para
mim essa eleição foi uma grande realização pessoal,
pois juntou parte dos meus maiores prazeres na vida:
cinema, listas e amigos.
Obrigado de coração a todos,
Rafael Santin
Domingo, Janeiro 04, 2004

Oi pessoal...
No meio do último semestre de 2003, o cineasta Marcos
Craveiro convidou algumas pessoas do Conservatório
Carlos Gomes para participarem da produção de seu mais
novo curta-metragem: Dois Atos.
Após alguns meses de pré-produção do curta (que
conta a história do início da carreira de jovens
atores em um formato meio documental) e algumas gravações
em outras cidades, finalmente começamos a filmar as
nossas cenas. Além ser uma ótima oportunidade para se
conhecer uma nova linguagem para interpretação, foi
uma boa maneira de rever algumas pessoas do Conservatório,
já que estamos de férias.
Marcos Craveiro além de cineasta , é publicitário e já
realizou entre outros os filmes Crepúsculo
(1976) e Close-up Regina Duarte (1979), ambos
premiados em festivais nacionais, e João da Mata -
um documento (1983), premiado em Los Angeles.
A seguir, vejam algumas fotos do making of dessa
produção, que reúne mais uma vez o nosso grupo que
realizou a adaptação do "Velório a
Brasileira" (Danielly Borges, Gisele Walters,
Rafael Santin {eu}, Sidney Laranjeira, Thamy Quintanilha
e Tiago Gonçalves), mais Cassandra Oliveira e Evandro
Cunha.

Em breve, mais informações sobre a produção de Dois
Atos.
Abraços,
Rafa!!!
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